Fábulas Instantâneas

A série de aquarelas Fábulas Instantâneas é um comentário sobre um hábito contemporâneo: a postagem incessável de retratos em mídias sociais. A necessidade de deixar uma marca na sociedade através de um retrato não é, absolutamente, novidade: Já há séculos a História da Arte é povoada por representações pessoais para a posteridade, nas quais os retratados vestem suas melhores roupas e suas melhores identidades, na forma de gestos, penteados, objetos e cenários minuciosamente escolhidos para se dizer ao mundo a que veio (ou a que gostaria de ter vindo...). Nos retratos, somos virgens, mães, reis onipotentes, impávidos rebeldes. Somos as máscaras que escolhemos usar.


Furto esses retratos, assumida e desavergonhadamente. Vasculho redes sociais atrás dos que me toquem por sua beleza, por sua safadeza, ou mesmo por seu ridículo. E a partir das identidades que as pessoas criaram para si, crio uma segunda identidade descartável através do recurso da fábula, e dou assim ao espectador a oportunidade de criar uma terceira por sua leitura da obra. Brinco com a autoafirmação nossa de cada dia: postados, curtidos, comentados.

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